
Eu tinha uns 7 ou 8 anos, morava na roça 'Cangaia', um pedacinho de Santa Terezinha, que era um pedacinho de Inhapim, que é um pedaço de Minas, rsss!
Morávamos perto da tia Bela, ela é o sol em pessoa, não há como ficar sem rir ao seu lado, tivesse seu coração como fosse.
Após andar pelas margens do rio, buscar cabras no pasto a cavalo, correr com os cachorros, pescar para o almoço, carregar água para o banho, e subir em muitas árvores, comer muitas goiabas, a noitinha chegava e se acendiam os lampiões, um 'cafezim' depois da janta pro tio e a vó iniciava o rito de toda noite de lua cheia. Algumas madeiras, palhas e um fósforo queimavam uma fogueira onde agente se sentava nos troncos ao redor e ia desde falar da vida dos outros, notícias da família, jogar buraco, jogar 'olho de boi', rir muito até a noite adentrar... aí sim começava os contos mal-assombrados que meu tio trazia em seu vasto repertório!!
Tinha o do cavaleiro do diabo, do cachorrinho no pasto, da mata viva, do vulto sobre a casa, do cigarro do capeta e etc... Agente que era pequeno acreditava em tudo e ainda vinha um por trás e dava aquele grito pra ver um pulo de meio metro de susto. Meu tio gostava de aterrorizar agente, e conseguia, e minha tia palhaça como era vivia se aproveitando dos nossos medos.
Não adiantava dizer que era mentira, que estavam por perto, mente de criança é mundo imaginário, com vida própria. Eu agarrava na barra da saia da minha mãe-vó e não largava mais, dormia na mesma cama e ainda gritava com os pesadelos, passava a noite imaginando aranhas descendo em cima de mim na escuridão do quarto, e chamava a mãe: _'Mãe, tem uma aranha aqui!", _'Tem não Polly, vai dormir!!', _'Mãe deixa a luz acesa!!'.
Sonhava com uma cabra 'desgoelada' (diferente de degolada), que me perseguia e não adiantava sempre me achava, eram noites seguidas! As vezes revezava, era uma enchente muito grande, num bananeiral, a água amarela me engolia! Também tinha a vaca brava, correndo atrás de mim na subida de um morro e eu pulava do penhasco pra fugir, acordava em seguida suada, nervosa!
Minha vó passou noites comigo em claro, eu sempre tinha um sono agitado. Acabei me acostumando com os sonhos, até os quinze os tinha, minha vó descansou um pouco!
Nos mudamos, o tio continua lá, a tia veio pra cá e eu mudei de cama!
Hoje durmo igual pedra, nem lembro se sonho...
Morávamos perto da tia Bela, ela é o sol em pessoa, não há como ficar sem rir ao seu lado, tivesse seu coração como fosse.
Após andar pelas margens do rio, buscar cabras no pasto a cavalo, correr com os cachorros, pescar para o almoço, carregar água para o banho, e subir em muitas árvores, comer muitas goiabas, a noitinha chegava e se acendiam os lampiões, um 'cafezim' depois da janta pro tio e a vó iniciava o rito de toda noite de lua cheia. Algumas madeiras, palhas e um fósforo queimavam uma fogueira onde agente se sentava nos troncos ao redor e ia desde falar da vida dos outros, notícias da família, jogar buraco, jogar 'olho de boi', rir muito até a noite adentrar... aí sim começava os contos mal-assombrados que meu tio trazia em seu vasto repertório!!
Tinha o do cavaleiro do diabo, do cachorrinho no pasto, da mata viva, do vulto sobre a casa, do cigarro do capeta e etc... Agente que era pequeno acreditava em tudo e ainda vinha um por trás e dava aquele grito pra ver um pulo de meio metro de susto. Meu tio gostava de aterrorizar agente, e conseguia, e minha tia palhaça como era vivia se aproveitando dos nossos medos.
Não adiantava dizer que era mentira, que estavam por perto, mente de criança é mundo imaginário, com vida própria. Eu agarrava na barra da saia da minha mãe-vó e não largava mais, dormia na mesma cama e ainda gritava com os pesadelos, passava a noite imaginando aranhas descendo em cima de mim na escuridão do quarto, e chamava a mãe: _'Mãe, tem uma aranha aqui!", _'Tem não Polly, vai dormir!!', _'Mãe deixa a luz acesa!!'.
Sonhava com uma cabra 'desgoelada' (diferente de degolada), que me perseguia e não adiantava sempre me achava, eram noites seguidas! As vezes revezava, era uma enchente muito grande, num bananeiral, a água amarela me engolia! Também tinha a vaca brava, correndo atrás de mim na subida de um morro e eu pulava do penhasco pra fugir, acordava em seguida suada, nervosa!
Minha vó passou noites comigo em claro, eu sempre tinha um sono agitado. Acabei me acostumando com os sonhos, até os quinze os tinha, minha vó descansou um pouco!
Nos mudamos, o tio continua lá, a tia veio pra cá e eu mudei de cama!
Hoje durmo igual pedra, nem lembro se sonho...
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